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Olá de novo, meus caros 1d4 leitores.

Hoje venho até vocês para pedir ajuda no desenvolvimento do meu novo cenário para o sistema 2k. Vou tentar  levantar algumas questões e agradeceria muito se vocês deixassem comentários sobre o assunto e, se possível, até posto uma poll ou duas, tudo depende de como for o processo. Bom, sem mais enrolação, aqui vai: Vou começar pela ambientação e a tecnologia.

!!!AVISO!!!

Para os puristas e pudicos que por algum acaso resolverem ler este post, é bom que saibam: o meu cenário será um pastiche de referências nerds. eu pretendo estuprar todas as memórias boas que vocês tinham de tudo aquilo que presam: animes, filmes, livros: preparem-se para rolar no cantinho em posição fetal. Vou pastichar e não podem me parar. BWAHAHAHAHAHAHAHA!!!! *evil face*

!!!AVISO!!!

Eu vou fazer uma introdução citando o lugar e o tempo. O marco zero do cenário será no planeta terra, no ano de 2084. Estou fazendo considerações sobre como será a tecnologia até lá, mas minhas idéias parecem exceder um pouco a linha do aceitável. Imaginava coisas sobre realidade expandida de uma forma similar a “Dennou Coil” e inteligência artificial como em “Eu, Robô”, mas sem os robôs, como se todo estabelecimento fosse uma entidade automatizada controlada por um único programa de inteligência artificial, tornando robôs que ocupam espaço e tiram a paciência uma coisa desnecessária, quase como o HAL em “2001: Uma Odisséia no Espaço”. Aliás, eu acho a idéia da supressão espontânea dos “circuitos de Asimov” (que regulam e impõem as Três Leis da Robótica de Asimov à programação do robô) uma coisa extremamente interessante, ainda mais se a humanidade começar a depender demais destas entidades virtuais. Quem não se lembra da sátira dos Simpsons em um dos episódios da Casa da Árvore dos Horrores quando o robô Pierce Brosnan tenta matar o Homer? Comicidades à parte, sinto-me tentado a fazer do ambiente mais seguro do cenário uma armadilha mortal. Espalhar medo e horror, insegurança, paranóia e desepero nos jogadores ou, no mínimo, nos personagens.

Em segundo lugar, estava pensando em uma descentralização política. Adeus democracia hipócrita, bem vindo corporativismo totalitário e tecnocrata. Em meio a uma hecatombe humana disparada por uma grande corporação, todos os seres humanos se verão ameaçados, mas apenas uma entidade é capaz de oferecer proteção: a própria empresa. Explico-me: estou pensando em roubar as idéias de “Deadman Wonderland” descaradamente. A empresa irá se chamar Deadman Corp, e a hecatombe é a deflagração do vírus zumbi no mundo. E apenas a Deadman Corp (ou DC) possui a tecnologia para proteger os sobreviventees dos ghouls. Em troca, eles devem trabalhar e obedecer cegamente a DC e abrir mão de sua liberdade, sendo vigiados constantemente, como uma versão hardcores (se é que dá para piorar) de “1984”. Entretanto, estou considerando seriamente nestes últimos dias a proposta de inserir um elemento alienígena ou mecha na história, como em “Neon Genesis Evangelion”. Eu avisei: vou pastichar sem misericórdia. Podem chorar, fanboys!

Para finalizar, apenas duas palavras: Engenharia Genética. Adivinhem de onde pretendo roubar esta idéia. Adivinharam? Pois é. Sim, eu vou pastichar “Bioshock” também. (Some men just like to watch the world burn. I’m their idol).

Aproveitem o espaço de comentários para  me xingar o quanto quiserem e trollarem à tôa ou simplesmente sigam minha sugestão do começo do post e educadamente proponham suas idéias e sugestões. Em breve trago mais posts sobre o assunto. Adieu.

Eu já comentei no último post sobre minha nova campanha/sistema voltado para a temática dos filmes de sobrevivência e zumbis. hoje vou publicar um exerto do tratado sobre sobrevivência a zumbis chamado “Zombieland Handbook: Survivalist’s Rules 101“, que, na campanha, foi escrito por um dos personagens, mas na verdade foi o produto de várias aulas mortas de inglês… Aproveitem.

Ah, e um adendo: uma vez um amigo me perguntou se todas as minhas piadas são em inglês por que eu sou ani-patriótico, mas não. Eu tenho muito orgulho do meu país e da minha língua mãe, especialmente. A maioria de minhas piadas é feita em inglês por que, além de me ajudar a treinar meu inglês, eu acho que nesta língua fica mais fácil de fazer “trocadalhos do carilho”.

A lista está sujeita a adições e alterações ao longo do tempo, por que todo bom sobrevivente sabe que o importante é se adaptar ao ambiente.

 

Zombieland Handbook: Survivalist’s Rules 101

1st: Always remember the 4F’s: “Fat Folks Fall First“.

2nd: You can never be too sure. Always double-tap them zombies’ heads.

3rd: Every automobile is a walking fear cage, so, allways remember the CLICK:

  • Check the backseat for undead hitchhickers;
  • Lock da doors, hide yo’ wife, hide yo’ kids, hide yo’ dog, perv undead’s in da house;
  • Ignore speed limits. This is Zombieland, not fucking Disneyland;
  • Check the gas and tires. You don’t want no highway surprises;
  • Keys are NOT for suckas. Keep’em close and handy.

4th: Yeah, we know you pwn’d them n00bs, but keep your moonwalk  for the safe house. Nobody likes trolling showoffs. Specially they zombies.  Asshole.

5th: Your limbs may be cute, but they’re disposable. Zombie bites you, chop it off rightaway.

6th: BYOBFF: Bring Your Own Beer, Food & Firearms.

7th: Movement must be cautious. Like the tortoise, slow and steady.

8th: Zombies have no heart. No, really, I’m serious: aim for the head or they won’t die.

9th: If tou ain’t got nothing else, you can always count on the sunlight as your shield. Some zombies may even walk underneath it, but they’ll be easier to spot and avoid.

10th: Once you find a possible survivor, don’t shoot: just yell “Marco!“. If he doesn’t reply “Polo!“, THEN you shoot. Beware of this rule, cuz’ it could safe your ass from friendly fire, annoying surviving history teachers, eloquent preachers and that former pornstar zombie. Yeah, I know she’s hot, single and have allways been brainless, but she’s still a zombie nevertheless.

11th: Know your enemy: beware of zombies’ speed, aversions, atractions and motion/behavior patterns.

12th: “Eye of the Tiger” my ass; the real winner is who dies last.

13th: Love is cool and all, but if you plan to survive and keep straight, you better learn the value of solo love, if y’know what I mean. There aren’t many female survivors, and most of them are lesbians.

14th: NEVER underestimate the value of a clean toillet.

15th: You should’ve learnt it already:

crowbar = machete > baseball bat > pistol > shotgun > that Rambo’s gun

Sistema “2K”: Debut

Neste último domingo eu fiz a estréia de um novo sistema que eu elaborei, o sistema “2K”. A história dele é, no mínimo, bem interessante, pois involve um colega meu e eu em um momento de divagação sobre zumbis. Foi mais ou menos assim…

COLEGA: “Então… zumbis são tão legais, não é?”

EU: “É. Eu adoro zumbis. Sabe o que eu adoro também? RPG.”

COLEGA: “Legal. Eu também gosto. Sabe o que seria muito mais legal ainda?”

EU: “Zumbis jogando RPG?”

COLEGA: “Também, mas eu estava pensando em fazermos um RPG de zumbis. George Romero-like.”

EU: “Ah, boa idéia!… Deixe eu ver se eu penso em alguma coisa e depois eu te falo.”

Bom, é claro que não foi bem assimm, mas chega perto. eu cheguei em casa, abri um arquivo .txt em branco e dez minutos e 2kb depois, o sistema estava pronto, daí o nome. Parece inverossímil e completamente desconfiável, mas, acreditem, foi extremamente eficiente, e eu acho que isso se deve a um único fator: ele é simples.

Eu sou paranóico e por isso não vou postar as regras aqui. Mas vou dar uma idéia: só se usa, de vez em nunca, um dado de 6 faces: famoso, fácil de achar, todo mundo tem um em casa. As fichas de personagens com background têm cinco linhas de extensão e, sem background, ficam do mesmo tamanho das de NPC/inimigo: um bloco menor do que uma carta de baralho. Armas? nome, quatro palavras. Dano? Sem cálculos extensivos de HP e imunidades: “Seu personagem caiu e quebrou o braço direito. Não dá mais para usar ele”. História? Hah, não me faça rir: é um survival. Todo survival se resume a ir do ponto A ao ponto B sem morrer, coletar comida, fazer barricadas e matar zumbis. Nenhuma tarefa impossível. É tudo uma questão de reduzir as ferramentas dos personagens até não poder mais e esperar eles usarem sua criatividade. E funcionou. Eu já até fiz dois Apêndices descrevendo situações particulares na forma de regras opcionais, para serem adicionadas à medida que o grupo for se adaptando às regras: Medo e Perseguições.

Embora tenha comparecido apenas 50% do grupo que eu havia imaginado, não foi difícil emular os NPCs no lugar deles. Eu apenas mostrei as fichas dos PCs uma vez, com background, dei os feats e flaws (apenas palavras dizendo o que têm de bom e ruim, sem muitas regras para complicar) e ocultei as fichas deles durante toda a partida, para tornar a assimilação dos personagens um processo mais orgânico e rápido. Foi, ao meu ver, um sucesso. Os jogadores me disseram, na segunda-feira, que aprovavam o jogo. É apenas um teste, mas eu acho que vai dar pé.

OK, vou dar um gostinho: para o cenário e o mapa, eu usei a cidade e a academia Bullworth, do jogo Bully, bem como me inspirei nos personagens do jogo para criar os sobreviventes. O mapa estava pronto, os NPCs também, não tinha segredo. Para o plot: zumbis tentam invadir a academia, me inspirando no primeiro episódio/capítulo do anime/mangá Highschool of the Dead. Como ocorreu no mangá, os zumbis não conseguiram invadir a escola, que estva trancada pois era feriado, mas conseguiram infectar os residentes. Aí é que a coisa complicava: o colégio inteiro virava um Quarto do Pânico. Em qualquer lugar pode haver um ex-colega seu comendo os intestinos do zelador, que desmaiou depois de beber demais e desmaiar no almoxarifado. Adicione a esta equação alguns NPCs bem inusitados, um pouco de humor e ação fluída sem a necessidade de miniaturas e nem de mapas para rodar os combates, que nem por isso deixaram de ser altamente estratégicos e aí está: o sistema 2K foi kick ass. Mal posso esperar para ver como será a próxima mesa. Se o negócio for pra frente mesmo, faço um reporte de sessão e, quem sabe, um diário de campanha para postar aqui no MEMENTO.

Até lá, vigiem os céus. Tem muita pomba sem vergonha dando rasante nos carros, parecendo kamikaze, esses dias. Adieu.

Capa do Álbum

Okay, okay… Antes de começar a resenha, eu acho que é importante colocar alguns comentários e observações pertinentes que deverão ser levados em conta:

1. Eu sou um puta fã do Serj Tankian. Eu SEREI tendencioso.

2. Eu babei no disco anterior. Eu serei MAIS tendencioso.

3. Eu ouvi o disco do começo até o fim apenas uma vez, o que quer dizer que a minha opinião futura está mais sujeita a mudanças do que de costume.

Muito bem, colocados estes tópicos, vamos lá!

O último CD, que eu não poderia deixar de citar, foi um marco essencial, como uma pedra fundamental, para a construção do Imperfect Harmonies. Serj o compôs e depois fez uma turnê que acabou com um novo CD (que eu vejo como apenas uma releitura interessante, nada mais), chamado Elect the Dead Symphony. É uma turnê na qual ele teve o suporte de uma orquestra sinfônica para reproduzir as músicas de uma forma diferente, mais “erudita”, se você acha um adjetivo válido. Eu acho que era a Orquestra Sinfônica de Auckland… Não sei, só lembro mesmo que era da Oceania. Austrália, Nova Zelândia, um lugar desses. O próprio precursor desta obra já tinha um tom muito expansivo e épico, com muitos instrumentos, sons e composições já bem voltadas para o gênero, mas ainda com um claro resquício da era System of a Down, com letras perversas, pesadas, rimas rápidas e afiadas, e um posicionamento político rasgado e claramente crítico, como visto claramente nas faixas Praise the Lord and Pass the Ammunition (“louve a Deus e passe a munição”, numa tradução livre) ou então na faixa The Reverend King, uma de minhas favoritas (“reverendo rei”, idem), fazendo uma referência clara ao Aiatolá e à questão da disputa no Oriente Médio, velha que nem o rascunho da Bíblia ou o Guaraná de rolha. Um disco que eu achei muito chocante, forte, cheio de caráter e personalidade, violento e sem tabus, mas sem nunca deixar de visualizar os conflitos e reflexões mais íntimos do artista, como nas faixas Baby, que tem uma das letras que eu acho mais lindas de todo o álbum, Blue e a que nomeia o disco, Elect the Dead. Sob este aspecto, achei uma obra de arte muito vigorosa e completa, merecendo minha máxima admiração.

Eu acho que criticar o novo álbum, como já citado exaustivamente no começo do post, é um trabalho perigoso e tendencioso, mas importante. Seguindo esta linha de pensamento, a minha impressão inicial foi que Serj meio que começa a dar sinais de perder todo este furor da era System. Imperfect Harmonies é, de longe, muito mais intimista e melancólico, como se as letras da maioria das músicas fossem uma seqüência de poesias catárticas em um fim de noite após um rompimento de relação e, possivelmente, um bad trip. Parece cruel o modo como eu coloco isso, mas é o mais sincero que eu consigo ser. Não que o álbum seja ruim, mas eu sinto que faltou uma certa liga. Muito bem, deixe que eu me explique de uma forma mais concreta. As letras sagazes e exóticas, que sempre foram uma marca registrada de Tankian, neste álbum estão MUITO (a caixa alta não é à tôa) mais pobres naquilo que diz respeito à proporção Verso X Refrão. Repetições longas de frases e versos, refrões planos e simples, confesso que uma decepção séria na maioria das faixas, no que diz respeito às letras, que sempre foram uma das coisas que eu mais admirava em Serj.

Sobre as experimentações de Tankian com os falsetes exagerados, eu prefiro nem comentar. Resumindamente, eu repeti várias vezes o canônico gesto face palm, que resume perfeitamente minha opinão a respeito disso. Se eu pudesse encontrar Serj e conversar com ele, a única coisa que faria questão de dizer é: “Não faça isso de novo. NUNCA.”

Outra coisa que me decepcionou muito após ouvir o disco foi a predominância esmagadora de faixas melancólicas e lentas, sempre com uma composição baseada em pianos eruditos, acompanhamento orquestral e um som arrastado e sombrio, pontuado aqui e ali por uma virada de guitarra com um riff pesado e repetitivo, quase sempre no refrão. Parecia que eu estava ouvindo repetidas vezes uma versão remixada de Sky is Over ou de Elect the Dead. Muito triste, eu esperava mais de um artista com a capacidade e habilidade de Tankian.

Mas o CD, mesmo depois de todas estas críticas, não é uma perda total, já que existem sim faixas tocantes e que realmente refletem o gênio musical de Tankian. A belíssima Gate 21 quase me fez chorar, mesmo seguindo a mesmíssima receita básica que eu critiquei o post inteiro: ela tem algo a mais, ela realmente demonstra explicitamente que veio dos recônditos mais profundos do coração do artista. E, na mão oposta, Electron repete a técnica conhecida de Tankian de fazer rimas com palavras longas e intrincadas em métricas nada usuais, com uma crítica política forte e um som que conseguiu um meio termo saudável entre a melancolia erudita e a audácia umbral do metal de Tankian. Palmas também para a faixa Yes, It’s Genocide pelo som fora do costume e pelos vocais criativos e para o hit de marketing Reconstructive Demonstration, que surpreende bastante na segunda vez que você ouve. Agradável e de bom gosto, embora não seja assim… uma Brastemp.

Bem, eu já tomei tempo demais de vocês, caros 1d4 leitores, então vou abreviar o final do post com a seguinte conclusão:

Imperfect Harmonies é interessante e bem legalzinho de se ouvir, mas eu não compraria para guardar e ouvir de novo, e de novo, e de novo como seu predecessor. A qualidade das faixas caiu muito desde Elect the Dead, mas tem potencial. A consolidação da fama de Serj em seu período pós-System ainda está ocorrendo, e eu tenho plena fé de que, se houver, o próximo álbum tem potencial para superar os anteriores, dependendo apenas da vontade do artista e da receptividade do público.

MINHA NOTA: * * *

Aqui, antes de partir, eu deixo os vídeos das músicas que eu mais gostei. Aproveitem!

UPDATE: parece que os vídeos do YouTube não estão carregando direito… Ò.ó” … mas as URLs não foram apagadas, então é só abrir o vídeo em uma nova aba/janela/whatever…

* * * * *

Pois muito bem, continuando meu post anterior sobre a minha fé na produção musical de qualidade na atualidade, não é necessário que eu me demore muito em pregações monótonas sobre porque eu não simpatizo com a maior parte (senão todo) mainstream. Além do mais, eu já fiz isso umas duas ou três vezes em posts anteriores. Vamos lá, agora eu vou falar sobre um gênero que, por falta de melhor expressão, “ressucitou” nas minhas preferências: o rap. Se bem que, na verdade, hoje em dia eu já nem sei mais definir a diferença entre rap, hip-hop e os demais similares.

Um artista que eu aprendi a admirar foi o recentemente falecido Seba Jun, conhecdo no meio artístico pelo pseudônimo Nujabes. Japonês, ele compôs a trilha de Samurai Champloo ao lado de um outro artista estadounidense que eu admiro muito, Substantial (eu falo dele mais para frente). Nujabes contraria muito esta corrente moderna (bem, nem tanto) de composição eletrônica que meu pai adora xingar de “bate-estaca”. Suas obras são sempre cheias de samples criativos, pianos, vilões, violinos e scratches muito bem executados e colocados.  Ele também contribui para a trilha de Cowboy Bepop, uma obra cânone que eu confesso nunca ter assistido o final, principalmente por falta de tempo e disposição, mas do pouco que eu já tive acesso, gostei bastante. Para dar um gostinho, vou segurar todos os meus impulsos hiperbólicos e colocar somente um vídeo do artista, uma música pela qual eu tenho especial apreço e admiração, “The Song of Four Seasons”, o enccerramento de Samurai Champloo. O solo vocal da cantora Minmi (eu acho que o nome é esse mesmo) é simplesmente deslumbrante.

OK, agora o Substantial. Um artista que não tem medo de ser simples em sua composição e massacrante em sua lírica, ele tem o dom da franqueza escrachada e contundente sem ser cruelmente rude. Eu escolhi uma música que ele compôs com Nujabes, mas a letra é dele mesmo. Eles foram grandes colaboradors mútuos, e a intimidade artística dos dois é bem clara. “Ain’t No Happy Endings” é filosófica, reflexiva e bem sincera, o que me faz gostar muito dela. Aproveitem:

Agora, aproveitando o ensejo, vou puxar para um artista que eu já tinha citado anteriormente na minha resenha do disco “Enter the Chicken”, de Buckethead & Friends: Saul Williams. Um grande poeta, ele é hábil e sabe cantar e compôr. Adoro a obra dele, especialmente esta música aqui embaixo, a “Black Stacey”. Saul Williams, aliás, fez uma apreciação do livro de poesias de Serj Tankian, que lançou seu segundo CD solo, o “Imperfect Harmonies” nesta terça-feira, dia 21 de setembro. Infelizmente eu ainda não possuo o CD e só tive a oportunidade de ouvir rapidamente duas músicas do álbum, que, eu confesso, não me causaram todo o impacto que eu esperava, especialmente depois da obra prima que foi o “Elect the Dead”, o álbum anterior. Bom, parando de enrolar, aí está a música de Saul Williams: “Black Stacey”. Prestem atenção na letra. Especial, contundente, sarcástica e explícita.

Bom, é isso, meus caros 1d4 leitores. Espero que gostem das músicas.

Pois é. Eu tenho muita dificuldade (sempre tive) de acreditar na música desta minhha geração. Não acredito em Emo, não acredito naqueles que se auto-proclamam como Hard-Rock nem nenhum tipo de Whatever-Rock. Nunca acreditei em Pop de nenhum tipo. Não acredito em Lady Gaga, Kesha, 50 cent, Fresno, Fiuk, seja lá o nome que inventarem. É sempre tudo a mesma coisa. E o problema é que a mesma coisa é (na minha opinião muito mais do que pessoal) um verdadeiro monte de merda. Não sei se jamais teria coragem de botar 20 reais em um disco de qualquer um destes sujeitos. Na verdade, acho que nem mesmo 5 reais. Para mim, a música estava morta e enterrada a sete palmos quase que ao mesmo tempo que Kurt Cobain morreu. Mas a vida é uma reciclagem, e a música não fica por menos.

É difícil achar uma música que faça você, hoje em dia, apenas pela linha do baixo e a voz de um cantor solitário ou um riff de guitarra, se sentar, ouvir e dizer, com sinceridade: “nossa, isso me surpreendeu”. Eu creio que se pessoas como Lady Gaga, Black Eyed Peas, Paramore e similares nunca teriam decolado sem video clipes e sem equipamento eletrônico pesado. Lady Gaga: um microfone de quinta, uma four-track, um baixo, uma bateria, um terceiro instrumento à escolha dela. Sem vídeo, sem mesa de manipulação. Será que esta faixa venderia no iTunes, num single ou tocaria no rádio? Eu duvido muito. Não que ela ou qualquer um dos outros artistas que eu citei anteriormente não tenham talento, longe de mim de dizer algo assim. Aliás, creio que entre uma boa parte deles deve haver muito talento, porém, não dá para ver por trás da aparelhagem. É como o Esgotamento Narrativo. Vivemos num tempo de imagem. Mas é um momento de valorizar, mais do que nunca, aquilo que hoje se chama de “Indie”. A fé permanece.

Eu ouviiu muita coisa boa estes últimos meses, tudo relativamente desconhecido. Em termos de Rock, olhe só o que me passa pelo caminho: uma banda chamad Temper Trap. Uma coisa bem música de ambiente, algo introspectivo e pessoal. Lembra um pouco de Coldplay. Vale a pena apenas pelo vocalista virtuoso, de voz indizível. Tudo muito simples, sem muita embromação, sem efeitos especiais, apenas riff, chorus, riff, chorus, bridge, riff, chorus, outro. Panela véia é que faz comida boa!

Aliás, em termos de rock, eu ouvi uma banda muito interessante anteontem, um grupo de estadounidenses de ascendência mexicana, e influência latina explicita, mas com talento explícito. Esta é um pouco mais destacada, pois olhe quem trabalhou com eles: Flea. É, o baixista do nosso finado e amado Red Hot Chilli Peppers. É a banda The Mars Volta. Eles são bem excêntricos, o que fica bem claro quando você observa o cabelo do vocalista. Epa, pera, opa… Melhor dobrar a língua. Meu cabelo era assim na sexta série. Talvez um pouco maior.

Isso assim estou apenas começando. Porém, tempus fugiti. Em seguida eu volto com uma continuação, sobre a ressurreição do meu gosto por hip-hop. Não, não é nada de Lil’ John. Ja Rule. Nem nada assim. É uma surpresa. Durmam com a dúvida na cabeça. Arivedercci. Espero que tenha escrito certo.

Eu tenho um péssimo cérebro para aniversários, datas e etc., fato: minha orientação temporal é altamente deficiente, mas enfim, tarda mas não falha: já esqueci de uns três aniversários nas últimas três semanas, e ontem descobri de um deles era muito relevante para este blog: Esta sexta-feira, dia 20 de agosto, teria sido o aniversário de 120 anos do Cavalheiro de Providence, pai de Cthulhu, Azathoth e Nyarlathotep: Howard Phillips Lovecraft!

Um de meus escritores favoritos, Lovecraft foi um escritor daquilo que hoje se chama de new weird, uma espécie de irmão esquisitão da ficção pulp, ou então, num espécie de ramo mais aberto, alguns batizam de ficção especulativa, na qual dá para encaixar desde Lovecraft e Robert E. Howard até (pasmem) Isaac Asimov, o escritor de grandes contos de ficção científica como o famoso “Eu, Robô”, transformado em filme recentemente com Will Smith no papel principal. Se você não estava morando embaixo de uma pedra nos últimos seis anos, deve se lembrar do filme.

Para traduzir todo o tom etéreo e sombrio dos contos de Lovecraft, só é necessario transcrever esta frase que ele mesmo disse:

The oldet and strongest emotion of mankind is fear. And the oldestand strongest kind of fear is fear of the unknown.

(“A emoção mais forte e antiga da humanidade é o medo. E o tipo mais antigo e forte de medo é o medo do desconhecido.“, numa tradução livre)

Já dá para ter uma idéia daquilo que vem, não é? Os contos de Lovecraft sempre primaram por se apresentarem como relatos pessoais de pessoas que se confrontaram com seres e situações muito mais poderosas e estranhas do que tudo aquilo que a mente humana pode conceber. Bem este é um resumo muitíssimo curto e pobre para descrever os contos de Lovecraft, mas asseguro que faço esta triste descrição pobre apenas para não estragar a surpresa de quem está lendo ou vai ler algo do escritor.

É difícil dizer até onde vai a influência de Lovecraft: seu protegido e aprendiz Robert Bloch escreveu o prefácio para uma coletânea de seus contos e ficou famoso por escrever um livro que depois foi transformado em filme. Você deve conhecer: “Psicose”, dirigido por Alfred Hitchcock. Pois é. É desse tamanho. Só para citar alguns artistas que já usaram as obras de Lovecraft como inspiração: Mike Mignola (quase tudo em Hellboy bebe de Lovecraft), Mettalica (The Call of Ktulu, última faixa de Ride the Lightning, para citar uma música), Black Sabbath (Behind the Wall of Sleep do primeiro álbum da banda, baseado em um conto homônimo), Robert E. Howard, Clark Ashton Smith (Conan, o Bárbaro), Brian Lumley, August Derleth, enfim, meio mundo.

Bom, não posso me delongar demais neste pequenino post, mas tenho apenas uma declaração a dar: estou trabalhando em um cenário introdutório para testar meu novo sistema, e vou usar e abusar dos “Cthulhu Mythos“, que é como chamam o arco de seres e histórias de Lovecraft (um título muito questionado e que eu, pessoalmente, acho um insulto à memória de Lovecraft).

Adieu, meus 1d4 leitores! Continuem vigiando os céus, porque as pombas estão vivenciando uma epidemia de diarréia.