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Archive for agosto \28\UTC 2010

Música: A Fé Permanece

Pois é. Eu tenho muita dificuldade (sempre tive) de acreditar na música desta minhha geração. Não acredito em Emo, não acredito naqueles que se auto-proclamam como Hard-Rock nem nenhum tipo de Whatever-Rock. Nunca acreditei em Pop de nenhum tipo. Não acredito em Lady Gaga, Kesha, 50 cent, Fresno, Fiuk, seja lá o nome que inventarem. É sempre tudo a mesma coisa. E o problema é que a mesma coisa é (na minha opinião muito mais do que pessoal) um verdadeiro monte de merda. Não sei se jamais teria coragem de botar 20 reais em um disco de qualquer um destes sujeitos. Na verdade, acho que nem mesmo 5 reais. Para mim, a música estava morta e enterrada a sete palmos quase que ao mesmo tempo que Kurt Cobain morreu. Mas a vida é uma reciclagem, e a música não fica por menos.

É difícil achar uma música que faça você, hoje em dia, apenas pela linha do baixo e a voz de um cantor solitário ou um riff de guitarra, se sentar, ouvir e dizer, com sinceridade: “nossa, isso me surpreendeu”. Eu creio que se pessoas como Lady Gaga, Black Eyed Peas, Paramore e similares nunca teriam decolado sem video clipes e sem equipamento eletrônico pesado. Lady Gaga: um microfone de quinta, uma four-track, um baixo, uma bateria, um terceiro instrumento à escolha dela. Sem vídeo, sem mesa de manipulação. Será que esta faixa venderia no iTunes, num single ou tocaria no rádio? Eu duvido muito. Não que ela ou qualquer um dos outros artistas que eu citei anteriormente não tenham talento, longe de mim de dizer algo assim. Aliás, creio que entre uma boa parte deles deve haver muito talento, porém, não dá para ver por trás da aparelhagem. É como o Esgotamento Narrativo. Vivemos num tempo de imagem. Mas é um momento de valorizar, mais do que nunca, aquilo que hoje se chama de “Indie”. A fé permanece.

Eu ouviiu muita coisa boa estes últimos meses, tudo relativamente desconhecido. Em termos de Rock, olhe só o que me passa pelo caminho: uma banda chamad Temper Trap. Uma coisa bem música de ambiente, algo introspectivo e pessoal. Lembra um pouco de Coldplay. Vale a pena apenas pelo vocalista virtuoso, de voz indizível. Tudo muito simples, sem muita embromação, sem efeitos especiais, apenas riff, chorus, riff, chorus, bridge, riff, chorus, outro. Panela véia é que faz comida boa!

Aliás, em termos de rock, eu ouvi uma banda muito interessante anteontem, um grupo de estadounidenses de ascendência mexicana, e influência latina explicita, mas com talento explícito. Esta é um pouco mais destacada, pois olhe quem trabalhou com eles: Flea. É, o baixista do nosso finado e amado Red Hot Chilli Peppers. É a banda The Mars Volta. Eles são bem excêntricos, o que fica bem claro quando você observa o cabelo do vocalista. Epa, pera, opa… Melhor dobrar a língua. Meu cabelo era assim na sexta série. Talvez um pouco maior.

Isso assim estou apenas começando. Porém, tempus fugiti. Em seguida eu volto com uma continuação, sobre a ressurreição do meu gosto por hip-hop. Não, não é nada de Lil’ John. Ja Rule. Nem nada assim. É uma surpresa. Durmam com a dúvida na cabeça. Arivedercci. Espero que tenha escrito certo.

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Eu tenho um péssimo cérebro para aniversários, datas e etc., fato: minha orientação temporal é altamente deficiente, mas enfim, tarda mas não falha: já esqueci de uns três aniversários nas últimas três semanas, e ontem descobri de um deles era muito relevante para este blog: Esta sexta-feira, dia 20 de agosto, teria sido o aniversário de 120 anos do Cavalheiro de Providence, pai de Cthulhu, Azathoth e Nyarlathotep: Howard Phillips Lovecraft!

Um de meus escritores favoritos, Lovecraft foi um escritor daquilo que hoje se chama de new weird, uma espécie de irmão esquisitão da ficção pulp, ou então, num espécie de ramo mais aberto, alguns batizam de ficção especulativa, na qual dá para encaixar desde Lovecraft e Robert E. Howard até (pasmem) Isaac Asimov, o escritor de grandes contos de ficção científica como o famoso “Eu, Robô”, transformado em filme recentemente com Will Smith no papel principal. Se você não estava morando embaixo de uma pedra nos últimos seis anos, deve se lembrar do filme.

Para traduzir todo o tom etéreo e sombrio dos contos de Lovecraft, só é necessario transcrever esta frase que ele mesmo disse:

The oldet and strongest emotion of mankind is fear. And the oldestand strongest kind of fear is fear of the unknown.

(“A emoção mais forte e antiga da humanidade é o medo. E o tipo mais antigo e forte de medo é o medo do desconhecido.“, numa tradução livre)

Já dá para ter uma idéia daquilo que vem, não é? Os contos de Lovecraft sempre primaram por se apresentarem como relatos pessoais de pessoas que se confrontaram com seres e situações muito mais poderosas e estranhas do que tudo aquilo que a mente humana pode conceber. Bem este é um resumo muitíssimo curto e pobre para descrever os contos de Lovecraft, mas asseguro que faço esta triste descrição pobre apenas para não estragar a surpresa de quem está lendo ou vai ler algo do escritor.

É difícil dizer até onde vai a influência de Lovecraft: seu protegido e aprendiz Robert Bloch escreveu o prefácio para uma coletânea de seus contos e ficou famoso por escrever um livro que depois foi transformado em filme. Você deve conhecer: “Psicose”, dirigido por Alfred Hitchcock. Pois é. É desse tamanho. Só para citar alguns artistas que já usaram as obras de Lovecraft como inspiração: Mike Mignola (quase tudo em Hellboy bebe de Lovecraft), Mettalica (The Call of Ktulu, última faixa de Ride the Lightning, para citar uma música), Black Sabbath (Behind the Wall of Sleep do primeiro álbum da banda, baseado em um conto homônimo), Robert E. Howard, Clark Ashton Smith (Conan, o Bárbaro), Brian Lumley, August Derleth, enfim, meio mundo.

Bom, não posso me delongar demais neste pequenino post, mas tenho apenas uma declaração a dar: estou trabalhando em um cenário introdutório para testar meu novo sistema, e vou usar e abusar dos “Cthulhu Mythos“, que é como chamam o arco de seres e histórias de Lovecraft (um título muito questionado e que eu, pessoalmente, acho um insulto à memória de Lovecraft).

Adieu, meus 1d4 leitores! Continuem vigiando os céus, porque as pombas estão vivenciando uma epidemia de diarréia.

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