Feeds:
Posts
Comentários

Archive for setembro \28\UTC 2010

Sistema “2K”: Debut

Neste último domingo eu fiz a estréia de um novo sistema que eu elaborei, o sistema “2K”. A história dele é, no mínimo, bem interessante, pois involve um colega meu e eu em um momento de divagação sobre zumbis. Foi mais ou menos assim…

COLEGA: “Então… zumbis são tão legais, não é?”

EU: “É. Eu adoro zumbis. Sabe o que eu adoro também? RPG.”

COLEGA: “Legal. Eu também gosto. Sabe o que seria muito mais legal ainda?”

EU: “Zumbis jogando RPG?”

COLEGA: “Também, mas eu estava pensando em fazermos um RPG de zumbis. George Romero-like.”

EU: “Ah, boa idéia!… Deixe eu ver se eu penso em alguma coisa e depois eu te falo.”

Bom, é claro que não foi bem assimm, mas chega perto. eu cheguei em casa, abri um arquivo .txt em branco e dez minutos e 2kb depois, o sistema estava pronto, daí o nome. Parece inverossímil e completamente desconfiável, mas, acreditem, foi extremamente eficiente, e eu acho que isso se deve a um único fator: ele é simples.

Eu sou paranóico e por isso não vou postar as regras aqui. Mas vou dar uma idéia: só se usa, de vez em nunca, um dado de 6 faces: famoso, fácil de achar, todo mundo tem um em casa. As fichas de personagens com background têm cinco linhas de extensão e, sem background, ficam do mesmo tamanho das de NPC/inimigo: um bloco menor do que uma carta de baralho. Armas? nome, quatro palavras. Dano? Sem cálculos extensivos de HP e imunidades: “Seu personagem caiu e quebrou o braço direito. Não dá mais para usar ele”. História? Hah, não me faça rir: é um survival. Todo survival se resume a ir do ponto A ao ponto B sem morrer, coletar comida, fazer barricadas e matar zumbis. Nenhuma tarefa impossível. É tudo uma questão de reduzir as ferramentas dos personagens até não poder mais e esperar eles usarem sua criatividade. E funcionou. Eu já até fiz dois Apêndices descrevendo situações particulares na forma de regras opcionais, para serem adicionadas à medida que o grupo for se adaptando às regras: Medo e Perseguições.

Embora tenha comparecido apenas 50% do grupo que eu havia imaginado, não foi difícil emular os NPCs no lugar deles. Eu apenas mostrei as fichas dos PCs uma vez, com background, dei os feats e flaws (apenas palavras dizendo o que têm de bom e ruim, sem muitas regras para complicar) e ocultei as fichas deles durante toda a partida, para tornar a assimilação dos personagens um processo mais orgânico e rápido. Foi, ao meu ver, um sucesso. Os jogadores me disseram, na segunda-feira, que aprovavam o jogo. É apenas um teste, mas eu acho que vai dar pé.

OK, vou dar um gostinho: para o cenário e o mapa, eu usei a cidade e a academia Bullworth, do jogo Bully, bem como me inspirei nos personagens do jogo para criar os sobreviventes. O mapa estava pronto, os NPCs também, não tinha segredo. Para o plot: zumbis tentam invadir a academia, me inspirando no primeiro episódio/capítulo do anime/mangá Highschool of the Dead. Como ocorreu no mangá, os zumbis não conseguiram invadir a escola, que estva trancada pois era feriado, mas conseguiram infectar os residentes. Aí é que a coisa complicava: o colégio inteiro virava um Quarto do Pânico. Em qualquer lugar pode haver um ex-colega seu comendo os intestinos do zelador, que desmaiou depois de beber demais e desmaiar no almoxarifado. Adicione a esta equação alguns NPCs bem inusitados, um pouco de humor e ação fluída sem a necessidade de miniaturas e nem de mapas para rodar os combates, que nem por isso deixaram de ser altamente estratégicos e aí está: o sistema 2K foi kick ass. Mal posso esperar para ver como será a próxima mesa. Se o negócio for pra frente mesmo, faço um reporte de sessão e, quem sabe, um diário de campanha para postar aqui no MEMENTO.

Até lá, vigiem os céus. Tem muita pomba sem vergonha dando rasante nos carros, parecendo kamikaze, esses dias. Adieu.

Anúncios

Read Full Post »

Capa do Álbum

Okay, okay… Antes de começar a resenha, eu acho que é importante colocar alguns comentários e observações pertinentes que deverão ser levados em conta:

1. Eu sou um puta fã do Serj Tankian. Eu SEREI tendencioso.

2. Eu babei no disco anterior. Eu serei MAIS tendencioso.

3. Eu ouvi o disco do começo até o fim apenas uma vez, o que quer dizer que a minha opinião futura está mais sujeita a mudanças do que de costume.

Muito bem, colocados estes tópicos, vamos lá!

O último CD, que eu não poderia deixar de citar, foi um marco essencial, como uma pedra fundamental, para a construção do Imperfect Harmonies. Serj o compôs e depois fez uma turnê que acabou com um novo CD (que eu vejo como apenas uma releitura interessante, nada mais), chamado Elect the Dead Symphony. É uma turnê na qual ele teve o suporte de uma orquestra sinfônica para reproduzir as músicas de uma forma diferente, mais “erudita”, se você acha um adjetivo válido. Eu acho que era a Orquestra Sinfônica de Auckland… Não sei, só lembro mesmo que era da Oceania. Austrália, Nova Zelândia, um lugar desses. O próprio precursor desta obra já tinha um tom muito expansivo e épico, com muitos instrumentos, sons e composições já bem voltadas para o gênero, mas ainda com um claro resquício da era System of a Down, com letras perversas, pesadas, rimas rápidas e afiadas, e um posicionamento político rasgado e claramente crítico, como visto claramente nas faixas Praise the Lord and Pass the Ammunition (“louve a Deus e passe a munição”, numa tradução livre) ou então na faixa The Reverend King, uma de minhas favoritas (“reverendo rei”, idem), fazendo uma referência clara ao Aiatolá e à questão da disputa no Oriente Médio, velha que nem o rascunho da Bíblia ou o Guaraná de rolha. Um disco que eu achei muito chocante, forte, cheio de caráter e personalidade, violento e sem tabus, mas sem nunca deixar de visualizar os conflitos e reflexões mais íntimos do artista, como nas faixas Baby, que tem uma das letras que eu acho mais lindas de todo o álbum, Blue e a que nomeia o disco, Elect the Dead. Sob este aspecto, achei uma obra de arte muito vigorosa e completa, merecendo minha máxima admiração.

Eu acho que criticar o novo álbum, como já citado exaustivamente no começo do post, é um trabalho perigoso e tendencioso, mas importante. Seguindo esta linha de pensamento, a minha impressão inicial foi que Serj meio que começa a dar sinais de perder todo este furor da era System. Imperfect Harmonies é, de longe, muito mais intimista e melancólico, como se as letras da maioria das músicas fossem uma seqüência de poesias catárticas em um fim de noite após um rompimento de relação e, possivelmente, um bad trip. Parece cruel o modo como eu coloco isso, mas é o mais sincero que eu consigo ser. Não que o álbum seja ruim, mas eu sinto que faltou uma certa liga. Muito bem, deixe que eu me explique de uma forma mais concreta. As letras sagazes e exóticas, que sempre foram uma marca registrada de Tankian, neste álbum estão MUITO (a caixa alta não é à tôa) mais pobres naquilo que diz respeito à proporção Verso X Refrão. Repetições longas de frases e versos, refrões planos e simples, confesso que uma decepção séria na maioria das faixas, no que diz respeito às letras, que sempre foram uma das coisas que eu mais admirava em Serj.

Sobre as experimentações de Tankian com os falsetes exagerados, eu prefiro nem comentar. Resumindamente, eu repeti várias vezes o canônico gesto face palm, que resume perfeitamente minha opinão a respeito disso. Se eu pudesse encontrar Serj e conversar com ele, a única coisa que faria questão de dizer é: “Não faça isso de novo. NUNCA.”

Outra coisa que me decepcionou muito após ouvir o disco foi a predominância esmagadora de faixas melancólicas e lentas, sempre com uma composição baseada em pianos eruditos, acompanhamento orquestral e um som arrastado e sombrio, pontuado aqui e ali por uma virada de guitarra com um riff pesado e repetitivo, quase sempre no refrão. Parecia que eu estava ouvindo repetidas vezes uma versão remixada de Sky is Over ou de Elect the Dead. Muito triste, eu esperava mais de um artista com a capacidade e habilidade de Tankian.

Mas o CD, mesmo depois de todas estas críticas, não é uma perda total, já que existem sim faixas tocantes e que realmente refletem o gênio musical de Tankian. A belíssima Gate 21 quase me fez chorar, mesmo seguindo a mesmíssima receita básica que eu critiquei o post inteiro: ela tem algo a mais, ela realmente demonstra explicitamente que veio dos recônditos mais profundos do coração do artista. E, na mão oposta, Electron repete a técnica conhecida de Tankian de fazer rimas com palavras longas e intrincadas em métricas nada usuais, com uma crítica política forte e um som que conseguiu um meio termo saudável entre a melancolia erudita e a audácia umbral do metal de Tankian. Palmas também para a faixa Yes, It’s Genocide pelo som fora do costume e pelos vocais criativos e para o hit de marketing Reconstructive Demonstration, que surpreende bastante na segunda vez que você ouve. Agradável e de bom gosto, embora não seja assim… uma Brastemp.

Bem, eu já tomei tempo demais de vocês, caros 1d4 leitores, então vou abreviar o final do post com a seguinte conclusão:

Imperfect Harmonies é interessante e bem legalzinho de se ouvir, mas eu não compraria para guardar e ouvir de novo, e de novo, e de novo como seu predecessor. A qualidade das faixas caiu muito desde Elect the Dead, mas tem potencial. A consolidação da fama de Serj em seu período pós-System ainda está ocorrendo, e eu tenho plena fé de que, se houver, o próximo álbum tem potencial para superar os anteriores, dependendo apenas da vontade do artista e da receptividade do público.

MINHA NOTA: * * *

Aqui, antes de partir, eu deixo os vídeos das músicas que eu mais gostei. Aproveitem!

Read Full Post »

UPDATE: parece que os vídeos do YouTube não estão carregando direito… Ò.ó” … mas as URLs não foram apagadas, então é só abrir o vídeo em uma nova aba/janela/whatever…

* * * * *

Pois muito bem, continuando meu post anterior sobre a minha fé na produção musical de qualidade na atualidade, não é necessário que eu me demore muito em pregações monótonas sobre porque eu não simpatizo com a maior parte (senão todo) mainstream. Além do mais, eu já fiz isso umas duas ou três vezes em posts anteriores. Vamos lá, agora eu vou falar sobre um gênero que, por falta de melhor expressão, “ressucitou” nas minhas preferências: o rap. Se bem que, na verdade, hoje em dia eu já nem sei mais definir a diferença entre rap, hip-hop e os demais similares.

Um artista que eu aprendi a admirar foi o recentemente falecido Seba Jun, conhecdo no meio artístico pelo pseudônimo Nujabes. Japonês, ele compôs a trilha de Samurai Champloo ao lado de um outro artista estadounidense que eu admiro muito, Substantial (eu falo dele mais para frente). Nujabes contraria muito esta corrente moderna (bem, nem tanto) de composição eletrônica que meu pai adora xingar de “bate-estaca”. Suas obras são sempre cheias de samples criativos, pianos, vilões, violinos e scratches muito bem executados e colocados.  Ele também contribui para a trilha de Cowboy Bepop, uma obra cânone que eu confesso nunca ter assistido o final, principalmente por falta de tempo e disposição, mas do pouco que eu já tive acesso, gostei bastante. Para dar um gostinho, vou segurar todos os meus impulsos hiperbólicos e colocar somente um vídeo do artista, uma música pela qual eu tenho especial apreço e admiração, “The Song of Four Seasons”, o enccerramento de Samurai Champloo. O solo vocal da cantora Minmi (eu acho que o nome é esse mesmo) é simplesmente deslumbrante.

OK, agora o Substantial. Um artista que não tem medo de ser simples em sua composição e massacrante em sua lírica, ele tem o dom da franqueza escrachada e contundente sem ser cruelmente rude. Eu escolhi uma música que ele compôs com Nujabes, mas a letra é dele mesmo. Eles foram grandes colaboradors mútuos, e a intimidade artística dos dois é bem clara. “Ain’t No Happy Endings” é filosófica, reflexiva e bem sincera, o que me faz gostar muito dela. Aproveitem:

Agora, aproveitando o ensejo, vou puxar para um artista que eu já tinha citado anteriormente na minha resenha do disco “Enter the Chicken”, de Buckethead & Friends: Saul Williams. Um grande poeta, ele é hábil e sabe cantar e compôr. Adoro a obra dele, especialmente esta música aqui embaixo, a “Black Stacey”. Saul Williams, aliás, fez uma apreciação do livro de poesias de Serj Tankian, que lançou seu segundo CD solo, o “Imperfect Harmonies” nesta terça-feira, dia 21 de setembro. Infelizmente eu ainda não possuo o CD e só tive a oportunidade de ouvir rapidamente duas músicas do álbum, que, eu confesso, não me causaram todo o impacto que eu esperava, especialmente depois da obra prima que foi o “Elect the Dead”, o álbum anterior. Bom, parando de enrolar, aí está a música de Saul Williams: “Black Stacey”. Prestem atenção na letra. Especial, contundente, sarcástica e explícita.

Bom, é isso, meus caros 1d4 leitores. Espero que gostem das músicas.

Read Full Post »