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Archive for the ‘Música’ Category

Capa do Álbum

Okay, okay… Antes de começar a resenha, eu acho que é importante colocar alguns comentários e observações pertinentes que deverão ser levados em conta:

1. Eu sou um puta fã do Serj Tankian. Eu SEREI tendencioso.

2. Eu babei no disco anterior. Eu serei MAIS tendencioso.

3. Eu ouvi o disco do começo até o fim apenas uma vez, o que quer dizer que a minha opinião futura está mais sujeita a mudanças do que de costume.

Muito bem, colocados estes tópicos, vamos lá!

O último CD, que eu não poderia deixar de citar, foi um marco essencial, como uma pedra fundamental, para a construção do Imperfect Harmonies. Serj o compôs e depois fez uma turnê que acabou com um novo CD (que eu vejo como apenas uma releitura interessante, nada mais), chamado Elect the Dead Symphony. É uma turnê na qual ele teve o suporte de uma orquestra sinfônica para reproduzir as músicas de uma forma diferente, mais “erudita”, se você acha um adjetivo válido. Eu acho que era a Orquestra Sinfônica de Auckland… Não sei, só lembro mesmo que era da Oceania. Austrália, Nova Zelândia, um lugar desses. O próprio precursor desta obra já tinha um tom muito expansivo e épico, com muitos instrumentos, sons e composições já bem voltadas para o gênero, mas ainda com um claro resquício da era System of a Down, com letras perversas, pesadas, rimas rápidas e afiadas, e um posicionamento político rasgado e claramente crítico, como visto claramente nas faixas Praise the Lord and Pass the Ammunition (“louve a Deus e passe a munição”, numa tradução livre) ou então na faixa The Reverend King, uma de minhas favoritas (“reverendo rei”, idem), fazendo uma referência clara ao Aiatolá e à questão da disputa no Oriente Médio, velha que nem o rascunho da Bíblia ou o Guaraná de rolha. Um disco que eu achei muito chocante, forte, cheio de caráter e personalidade, violento e sem tabus, mas sem nunca deixar de visualizar os conflitos e reflexões mais íntimos do artista, como nas faixas Baby, que tem uma das letras que eu acho mais lindas de todo o álbum, Blue e a que nomeia o disco, Elect the Dead. Sob este aspecto, achei uma obra de arte muito vigorosa e completa, merecendo minha máxima admiração.

Eu acho que criticar o novo álbum, como já citado exaustivamente no começo do post, é um trabalho perigoso e tendencioso, mas importante. Seguindo esta linha de pensamento, a minha impressão inicial foi que Serj meio que começa a dar sinais de perder todo este furor da era System. Imperfect Harmonies é, de longe, muito mais intimista e melancólico, como se as letras da maioria das músicas fossem uma seqüência de poesias catárticas em um fim de noite após um rompimento de relação e, possivelmente, um bad trip. Parece cruel o modo como eu coloco isso, mas é o mais sincero que eu consigo ser. Não que o álbum seja ruim, mas eu sinto que faltou uma certa liga. Muito bem, deixe que eu me explique de uma forma mais concreta. As letras sagazes e exóticas, que sempre foram uma marca registrada de Tankian, neste álbum estão MUITO (a caixa alta não é à tôa) mais pobres naquilo que diz respeito à proporção Verso X Refrão. Repetições longas de frases e versos, refrões planos e simples, confesso que uma decepção séria na maioria das faixas, no que diz respeito às letras, que sempre foram uma das coisas que eu mais admirava em Serj.

Sobre as experimentações de Tankian com os falsetes exagerados, eu prefiro nem comentar. Resumindamente, eu repeti várias vezes o canônico gesto face palm, que resume perfeitamente minha opinão a respeito disso. Se eu pudesse encontrar Serj e conversar com ele, a única coisa que faria questão de dizer é: “Não faça isso de novo. NUNCA.”

Outra coisa que me decepcionou muito após ouvir o disco foi a predominância esmagadora de faixas melancólicas e lentas, sempre com uma composição baseada em pianos eruditos, acompanhamento orquestral e um som arrastado e sombrio, pontuado aqui e ali por uma virada de guitarra com um riff pesado e repetitivo, quase sempre no refrão. Parecia que eu estava ouvindo repetidas vezes uma versão remixada de Sky is Over ou de Elect the Dead. Muito triste, eu esperava mais de um artista com a capacidade e habilidade de Tankian.

Mas o CD, mesmo depois de todas estas críticas, não é uma perda total, já que existem sim faixas tocantes e que realmente refletem o gênio musical de Tankian. A belíssima Gate 21 quase me fez chorar, mesmo seguindo a mesmíssima receita básica que eu critiquei o post inteiro: ela tem algo a mais, ela realmente demonstra explicitamente que veio dos recônditos mais profundos do coração do artista. E, na mão oposta, Electron repete a técnica conhecida de Tankian de fazer rimas com palavras longas e intrincadas em métricas nada usuais, com uma crítica política forte e um som que conseguiu um meio termo saudável entre a melancolia erudita e a audácia umbral do metal de Tankian. Palmas também para a faixa Yes, It’s Genocide pelo som fora do costume e pelos vocais criativos e para o hit de marketing Reconstructive Demonstration, que surpreende bastante na segunda vez que você ouve. Agradável e de bom gosto, embora não seja assim… uma Brastemp.

Bem, eu já tomei tempo demais de vocês, caros 1d4 leitores, então vou abreviar o final do post com a seguinte conclusão:

Imperfect Harmonies é interessante e bem legalzinho de se ouvir, mas eu não compraria para guardar e ouvir de novo, e de novo, e de novo como seu predecessor. A qualidade das faixas caiu muito desde Elect the Dead, mas tem potencial. A consolidação da fama de Serj em seu período pós-System ainda está ocorrendo, e eu tenho plena fé de que, se houver, o próximo álbum tem potencial para superar os anteriores, dependendo apenas da vontade do artista e da receptividade do público.

MINHA NOTA: * * *

Aqui, antes de partir, eu deixo os vídeos das músicas que eu mais gostei. Aproveitem!

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UPDATE: parece que os vídeos do YouTube não estão carregando direito… Ò.ó” … mas as URLs não foram apagadas, então é só abrir o vídeo em uma nova aba/janela/whatever…

* * * * *

Pois muito bem, continuando meu post anterior sobre a minha fé na produção musical de qualidade na atualidade, não é necessário que eu me demore muito em pregações monótonas sobre porque eu não simpatizo com a maior parte (senão todo) mainstream. Além do mais, eu já fiz isso umas duas ou três vezes em posts anteriores. Vamos lá, agora eu vou falar sobre um gênero que, por falta de melhor expressão, “ressucitou” nas minhas preferências: o rap. Se bem que, na verdade, hoje em dia eu já nem sei mais definir a diferença entre rap, hip-hop e os demais similares.

Um artista que eu aprendi a admirar foi o recentemente falecido Seba Jun, conhecdo no meio artístico pelo pseudônimo Nujabes. Japonês, ele compôs a trilha de Samurai Champloo ao lado de um outro artista estadounidense que eu admiro muito, Substantial (eu falo dele mais para frente). Nujabes contraria muito esta corrente moderna (bem, nem tanto) de composição eletrônica que meu pai adora xingar de “bate-estaca”. Suas obras são sempre cheias de samples criativos, pianos, vilões, violinos e scratches muito bem executados e colocados.  Ele também contribui para a trilha de Cowboy Bepop, uma obra cânone que eu confesso nunca ter assistido o final, principalmente por falta de tempo e disposição, mas do pouco que eu já tive acesso, gostei bastante. Para dar um gostinho, vou segurar todos os meus impulsos hiperbólicos e colocar somente um vídeo do artista, uma música pela qual eu tenho especial apreço e admiração, “The Song of Four Seasons”, o enccerramento de Samurai Champloo. O solo vocal da cantora Minmi (eu acho que o nome é esse mesmo) é simplesmente deslumbrante.

OK, agora o Substantial. Um artista que não tem medo de ser simples em sua composição e massacrante em sua lírica, ele tem o dom da franqueza escrachada e contundente sem ser cruelmente rude. Eu escolhi uma música que ele compôs com Nujabes, mas a letra é dele mesmo. Eles foram grandes colaboradors mútuos, e a intimidade artística dos dois é bem clara. “Ain’t No Happy Endings” é filosófica, reflexiva e bem sincera, o que me faz gostar muito dela. Aproveitem:

Agora, aproveitando o ensejo, vou puxar para um artista que eu já tinha citado anteriormente na minha resenha do disco “Enter the Chicken”, de Buckethead & Friends: Saul Williams. Um grande poeta, ele é hábil e sabe cantar e compôr. Adoro a obra dele, especialmente esta música aqui embaixo, a “Black Stacey”. Saul Williams, aliás, fez uma apreciação do livro de poesias de Serj Tankian, que lançou seu segundo CD solo, o “Imperfect Harmonies” nesta terça-feira, dia 21 de setembro. Infelizmente eu ainda não possuo o CD e só tive a oportunidade de ouvir rapidamente duas músicas do álbum, que, eu confesso, não me causaram todo o impacto que eu esperava, especialmente depois da obra prima que foi o “Elect the Dead”, o álbum anterior. Bom, parando de enrolar, aí está a música de Saul Williams: “Black Stacey”. Prestem atenção na letra. Especial, contundente, sarcástica e explícita.

Bom, é isso, meus caros 1d4 leitores. Espero que gostem das músicas.

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Música: A Fé Permanece

Pois é. Eu tenho muita dificuldade (sempre tive) de acreditar na música desta minhha geração. Não acredito em Emo, não acredito naqueles que se auto-proclamam como Hard-Rock nem nenhum tipo de Whatever-Rock. Nunca acreditei em Pop de nenhum tipo. Não acredito em Lady Gaga, Kesha, 50 cent, Fresno, Fiuk, seja lá o nome que inventarem. É sempre tudo a mesma coisa. E o problema é que a mesma coisa é (na minha opinião muito mais do que pessoal) um verdadeiro monte de merda. Não sei se jamais teria coragem de botar 20 reais em um disco de qualquer um destes sujeitos. Na verdade, acho que nem mesmo 5 reais. Para mim, a música estava morta e enterrada a sete palmos quase que ao mesmo tempo que Kurt Cobain morreu. Mas a vida é uma reciclagem, e a música não fica por menos.

É difícil achar uma música que faça você, hoje em dia, apenas pela linha do baixo e a voz de um cantor solitário ou um riff de guitarra, se sentar, ouvir e dizer, com sinceridade: “nossa, isso me surpreendeu”. Eu creio que se pessoas como Lady Gaga, Black Eyed Peas, Paramore e similares nunca teriam decolado sem video clipes e sem equipamento eletrônico pesado. Lady Gaga: um microfone de quinta, uma four-track, um baixo, uma bateria, um terceiro instrumento à escolha dela. Sem vídeo, sem mesa de manipulação. Será que esta faixa venderia no iTunes, num single ou tocaria no rádio? Eu duvido muito. Não que ela ou qualquer um dos outros artistas que eu citei anteriormente não tenham talento, longe de mim de dizer algo assim. Aliás, creio que entre uma boa parte deles deve haver muito talento, porém, não dá para ver por trás da aparelhagem. É como o Esgotamento Narrativo. Vivemos num tempo de imagem. Mas é um momento de valorizar, mais do que nunca, aquilo que hoje se chama de “Indie”. A fé permanece.

Eu ouviiu muita coisa boa estes últimos meses, tudo relativamente desconhecido. Em termos de Rock, olhe só o que me passa pelo caminho: uma banda chamad Temper Trap. Uma coisa bem música de ambiente, algo introspectivo e pessoal. Lembra um pouco de Coldplay. Vale a pena apenas pelo vocalista virtuoso, de voz indizível. Tudo muito simples, sem muita embromação, sem efeitos especiais, apenas riff, chorus, riff, chorus, bridge, riff, chorus, outro. Panela véia é que faz comida boa!

Aliás, em termos de rock, eu ouvi uma banda muito interessante anteontem, um grupo de estadounidenses de ascendência mexicana, e influência latina explicita, mas com talento explícito. Esta é um pouco mais destacada, pois olhe quem trabalhou com eles: Flea. É, o baixista do nosso finado e amado Red Hot Chilli Peppers. É a banda The Mars Volta. Eles são bem excêntricos, o que fica bem claro quando você observa o cabelo do vocalista. Epa, pera, opa… Melhor dobrar a língua. Meu cabelo era assim na sexta série. Talvez um pouco maior.

Isso assim estou apenas começando. Porém, tempus fugiti. Em seguida eu volto com uma continuação, sobre a ressurreição do meu gosto por hip-hop. Não, não é nada de Lil’ John. Ja Rule. Nem nada assim. É uma surpresa. Durmam com a dúvida na cabeça. Arivedercci. Espero que tenha escrito certo.

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Postando aqui alguns vídeos com as músicas do CD “Enter the Chicken” (2005), um dos melhores CD’s do Buckethead para quem não conhece, na minha opinião. Isto se deve ao fato de ser um álbum cooperativo: não é um CD solo, sim da pseudo-banda Buckethead & Friends. Com a colaboração de vários outros artistas como Maximum Bob (que trabalhou com Buckethead em outras bandas, como Deli Creeps e Praxis), o artista e cantor de hip-hop avant garde Saul Williams, a cantora erudita iraniana Azam Ali, o ex-membro do System of a Down, Serj Tankian, que também é o produtor do CD, o vocalista para a maioria das faixas e também o dono da gravadora que lançou o CD, a Serjical Strike. Tantos artistas mais, digamos assim, “sociáveis” deram ao disco um tom bem mais aberto e eclético, o que agrada a muito mais gostos. É realmente uma beleza de CD, muito embora não seja vendido aqui no Brasil (those burocratic motherfuckers from aduana…).

Primeiro a faixa “Running from the Light”, que tem um tom bem mais intimista e introspectivo, abençoada com os vocais de Maura Davis.

Agora aquela que tem o potencial para ser uma das melhores do CD: “Three Fingers”. Com a participação de Saul Williams, esta faixa tem um clima carregado de sarcasmo e mistério, algo bem bizarro, como um Freakshow. É bem incomum e parece um pouco deslocada do resto do CD, mas Buckethead aprendeu as nuances do Soul e do hip-hop durante seus inúmeros trabalhos com o músico Bootsy Collins e com (pasmem) Snoop Doggy Dog, e as aplica muito bem nesta faixa, cheia de ginga e espírito. Parece mesmo algo que veio do fundo do estômago, feito para mexer com a cabeça de quem ouve o CD.

Agora vou finalizar com a minha faixa preferida do  CD, “Waiting Hare”, freqüentemente escrita errado. Não “Here”, é “Hare” mesmo. Bem, a música fala por si mesma: Serj Tankian e Shana Halligan têm um nível de intimidade e cooperação vocal inigualável.

Bom, por enquanto é só, pessoal. Espero que tenham gostado.

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Tocando Agora…

Alguém aqui já ouviu um cara chamado Buckethead?

Buckethead. Um dos meus ídolos.

Buckethead. Um dos meus ídolos.

Na minha opinião o melhor guitarrista da atualidade, Buckethead é um personagem criado por Brian Caroll. É. Ele usa uma máscara de Halloween. Sim, aquila na cabeça dele É um balde de Kentucky Fried Chicken. Sim, ele tem uma aparência repelente de maníaco.

Mas e daí?

Ouvir Buckethead me abriu os horizontes. O interessante é que você não deve prestar atenção à letra da música, já que quase todas são instrumentais, e nem aos “babados” que saem sobre ele na net. Buckethead faz shows pequenos, nunca fala em público, e nunca tenta “aparecer” na mídia. E essa é a graça sobre ele: você compreende o personagem, e, portanto, o homem por trás da máscara, ouvindo a música dele. Apenas assim.

É libertador, já parou para pensar em quantas vezes aquilo que é noticiado pela mídia sobre artista X ou Y pode ter influenciado sua opinião sobre ele?

À primeira vista, todos estranham. Mas ao entender isso, a música dele se torna algo muito maior. É. Palavras de fã tendencioso, adimito. Mas eu realmente incentivo e deixo para os leitores: procurem, mesmo que um pouco, se informar sobre este formidável artista. As músicas dele tocam o coração de quem ouve. Procurem no seu software de Downloads e Comartilhamento, ou, para os mais desprovidos de recursos, uma visita ao YouTube é suficiente.

Músicas indicadas:

*Soothsayer

*Binge and Grab

*Nottingham Lace

*Space Cadilac (for Aunt Suzie)

*Sail On Soothsayer [especialmente emocionante]

*All in the Waiting

*Angel Monster

*Baptism of Solitude

*Big Sur Moon

*Datura

*Electric Tears [essa eu sei tocar na guitarra… XD)

*Hills of Eternity

*I Love my Parents

*Kansas Storm

*Mantaray

*Jordan

*Mustang

*Padmasana

*Sanctum

*Sketches of Spain (For Miles)

*Spell of the Gypsyes

*The Way to Heaven

*Tribute to Dimebag Darell

*Witches on the Heat

E muitas outras. Porém, com isso, já deve ser o suficiente para entreter você, leitor durante muito tempo.

Voltarei assim que possível para revelar alguns dos resultados de minha pesquisa incansável pelo significado da música. E de Buckethead.

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